Um espaço para auto-reflexão, mimimis adolescentes e falta do que fazer

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A crônica dentro de uma crônica


     Durante o final da tarde, em um típico dia de cursos, para mim, eu estava esperando pelo ônibus, dentro de uma das exóticas estações-tubo da capital Paranaense.
     Meu humor estava tão nublado quanto o céu, e meus olhos liberavam gotas de chuva salgadas, graças a um dia cheio de decepções. Eu repassava em minha mente cada conflito e falha duranta as aulas, me afundando nas mágoas que transbordavam do meu peito.
     O ônibus vermelho chegou e eu embarquei, me espremendo entre pessoas cansadas que voltavam de mais um dia de trabalho. Obviamente, todos estavam preocupados demais com seus próprios problemas para notar uma pequena garota que se meteu em um canto e soluçava de forma angustiada.
     Daquele modo era melhor, porque eu nunca gostei de ser encarada por estranhos. Meu ego não me permitia que eu fosse vista chorando, e atrair um olhar curioso só pioraria meu dia. Havia como ele ficar pior?
     Bem, observando o ambiente, com minha visão molhada e embaçada, eu encontrei um par de olhos azuis. Eles eram os únicos que me fitavam, entre fones de ouvido e conversas paralelas.
     Porém, ao invés de piorar o meu humor, o olhar daquele rapaz me salvou. Ele era jovem, não se encaixava no meu padrão de beleza ideal, mas havia algo em sua expressão, enquanto me observava, que causou um certo fascínio e simpatia em mim. Quem sabe, por causa de sua cor clara, seus olhos pudessem absorver e experimentar um pouco da dor que captavam e enviar uma mensagem de conforto de volta para o dono do conflito. Um discreto sorriso coroou a situação e eu saí do ônibus me sentindo melhor.
     Eu acredito que se mais pessoas soubessem abraçar as outras com um olhar, como aquele rapaz fez, o mundo seria um lugar melhor.

domingo, 10 de novembro de 2013

As insanas vantagens de ser narcisista



Como todo ser humano, existem momentos em que eu sinto uma extrema necessidade de falar com alguém, necessidade do contato físico, de ouvir uma voz diferente e sentir a presença de outra pessoa.
Porém, eu nunca fui do tipo extremamente carente ou dependente. Na verdade, eu não sou. Poucas e insignificantes coisas, que eu vivi nesses dezessete anos, me deixaram assim.

Mas afinal, por que eu precisaria de outra pessoa?
Eu sou a melhor companhia que se pode ter.
Meu gosto musical é variado e eu não tenho qualquer preconceito com bandas, cantores ou grupos.
Gosto e posso conversar sobre diversos assuntos.
Tenho um senso de humor quase inacabável.
E o melhor de tudo: eu sou narcisista.
Eu não preciso que as pessoas saibam sobre o que eu faço, sobre o quão incrível eu sou ou como sou talentosa.
Pesquisas já mostraram que pessoas narcisistas têm mais sucesso em seus objetivos, no trabalho e na vida social.

Eu poderia passar horas enumerando minhas qualidades, e mais horas enumerando meus defeitos, e como eles me fazem única. Porém, eu não preciso disso.
A única que precisa saber sobre tudo isso, sou eu. Eu não aceitaria me dividir com outra pessoa.





E no final, uma postagem inteira não fez nenhum sentido. Quem sabe, no futuro essa postagem seja editada, quando a minha sanidade voltar.
Quem sabe eu deveria virar rapper, e criar aquelas músicas ostentativas.

As Musas estão de mal comigo


Estou passando por uma fase sem criatividade, pior ainda do que a que eu citei nas primeiras postagens do blog.
Queria muito conseguir prosseguir com um dos meus livros, mas eu realmente estou paralisada em certas partes. Não consigo imaginar uma continuação.
E sobre minhas postagens, tenho mudado de ideia muito rápido. Estou em um período de transição, onde algo que em um minuto parece extremamente genial, no outro é a coisa mais clichê e estúpida do mundo.
Essa mudança é tão irritante, mas tão interessante ao mesmo tempo.
Quem sabe eu esteja precisando de um tempo comigo mesma, para refletir e buscar dentro de mim o que está faltando.
Ou, quem sabe, eu precise tomar vergonha na cara e ler mais, para ver se alguma inspiração aparece e as Musas fazem as pazes comigo.

O que torna um poema verdadeiro?



Vagando por algumas redes sociais, eu percebi algumas coisas bem comuns nas postagens, principalmente de adolescentes como eu: o drama, a melancolia e o romance.
Porém, a maioria dessas postagens não são um contrato com a alma. São um contrato com o ego.
Frases clichês, cheias de palavras rebuscadas, postadas junto com a esperança de compartilhamentos e um futuro Lispector antes do nome.
Você venderia seus sentimentos em troca da fama?
Lembrando que não estou falando sobre publicar uma poesia, e sim sobre poesias feitas para serem publicadas.
Para mim, isso faz tanto sentido quanto a pessoa postar uma frase no facebook, onde já aparece seu nome, e mesmo assim assiná-lo na postagem.
Afinal, quem precisa de sentimentos quando se pode ter fama?
Por que simplesmente compartilhar um pensamento com o outro e acalmar um coração, quando você pode vendê-lo e cultivar a vaidade?
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