Durante o final da tarde, em um típico dia de cursos, para mim, eu estava esperando pelo ônibus, dentro de uma das exóticas estações-tubo da capital Paranaense.
Meu humor estava tão nublado quanto o céu, e meus olhos liberavam gotas de chuva salgadas, graças a um dia cheio de decepções. Eu repassava em minha mente cada conflito e falha duranta as aulas, me afundando nas mágoas que transbordavam do meu peito.
O ônibus vermelho chegou e eu embarquei, me espremendo entre pessoas cansadas que voltavam de mais um dia de trabalho. Obviamente, todos estavam preocupados demais com seus próprios problemas para notar uma pequena garota que se meteu em um canto e soluçava de forma angustiada.
Daquele modo era melhor, porque eu nunca gostei de ser encarada por estranhos. Meu ego não me permitia que eu fosse vista chorando, e atrair um olhar curioso só pioraria meu dia. Havia como ele ficar pior?
Bem, observando o ambiente, com minha visão molhada e embaçada, eu encontrei um par de olhos azuis. Eles eram os únicos que me fitavam, entre fones de ouvido e conversas paralelas.
Porém, ao invés de piorar o meu humor, o olhar daquele rapaz me salvou. Ele era jovem, não se encaixava no meu padrão de beleza ideal, mas havia algo em sua expressão, enquanto me observava, que causou um certo fascínio e simpatia em mim. Quem sabe, por causa de sua cor clara, seus olhos pudessem absorver e experimentar um pouco da dor que captavam e enviar uma mensagem de conforto de volta para o dono do conflito. Um discreto sorriso coroou a situação e eu saí do ônibus me sentindo melhor.
Eu acredito que se mais pessoas soubessem abraçar as outras com um olhar, como aquele rapaz fez, o mundo seria um lugar melhor.



