Um espaço para auto-reflexão, mimimis adolescentes e falta do que fazer

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Cheia

Odeio a pretensão imposta pela paixão à primeira vista.
Eu não entrarei no clássico discurso sobre querer que as pessoas me enxerguem além das aparências, mas realmente enche o saco a forma como grande parte parece acreditar que as coisas funcionam.
Odeio os compromissos que costumam acertar com o destino, a forma como se iludem com pequenas coincidências e a força que colocam em expectativas que podem não ser correspondidas.
Existe uma receita para acessar o coração de alguém?
Vai saber.
Não importa sua aparência ou as palavras que você escolhe. Tudo está na questão de ser capaz de tocar o interior da pessoa de alguma forma. Um encontro como se suas almas se cumprimentassem por causa de uma pequena ideia em comum. É como se apaixonar de olhos fechados, sendo guiada apenas pela essência e pelo toque. De forma sutil, aos poucos, sem pressa, com a empolgação como recheio e a ternura como cobertura.

Depois de muito tempo eu percebi que o que eu sinto, na verdade, não é um vazio. No final das contas eu estou cheia. Tão cheia que chego a transbordar. E todo o mal estar é por causa da impotência que sinto ao ver tudo sendo derramado pelo chão, se perdendo, sem ninguém poder beber do que eu gostaria de oferecer. Amar demais a vida dói tanto quanto a ausência do amor.

Acho que depois de tudo isso, eu finalmente entendi o que queriam dizer quando falavam que às vezes dar é melhor do que receber, ou que amar pode ser melhor do que ser amado. Mas tudo isso parece exagerado demais, escrevendo dessa forma.
Eu poderia citar e fazer uma analogia com o mito das almas gêmeas, mas não quero por um teor romântico nesse texto. Ele é mais sobre mim do que sobre algum alguém que possa aparecer.
É sobre amar o agora e não me iludir com qualquer distração que possa aparecer. Quem sabe seja sobre o nada que eu acreditava carregar. Ou talvez seja sobre o tudo que eu descobri que há dentro de mim.
É sobre o que eu finalmente percebi que mereço, e como devo interpretar aqueles capazes de me oferecer isso.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Pane no sistema

Eu finalmente percebi que até hoje jamais fui verdadeira com esse blog. Todos os desabafos e fatos sobre mim sempre foram cuidadosamente digitados, revisados e pensados exclusivamente na visão de outra pessoa.
Essa outra pessoa não é um alter ego, e sim apenas uma alegoria para representar os olhos e os julgamentos dos demais.
Por mais que eu saiba que o acesso a esses textos seja limitado (por escolha própria), eu sempre ponderei o conteúdo e a forma com que ele seria exposto aqui. Acho que como todo o resto das coisas que eu tento fazer, esse blog é mais um exemplar do quão robotizada eu sou.
Bem, o futuro está aqui. Eu sou real. Artificialmente ou não.

Ta, mas e daí?

Eu também não sei o "daí". Eu poderia fazer o discurso sobre parar com essa conduta, sobre escrever coisas apenas para mim, mas eu nunca fui o tipo de escritora que guarda suas obras na gaveta.

sábado, 2 de maio de 2015

Um relatório sobre as lágrimas das últimas semanas

Durante essas últimas semanas, a melancolia me permitiu refletir sobre muitas coisas que eu acreditava já ter total conhecimento e controle. E novamente, fui enganada pelo meu orgulho.
Eu repeti diversas vezes, para o mundo e para mim mesma que gostaria de nunca ter ido a certo lugar, ou conhecido certa pessoa. Porém, eu sempre levei em conta o fato de que até os menores males geram boas coisas. E apesar da ferida ainda estar em processo de cicatrização, eu pude aprender algumas tão importantes. 

Acho que no meio da bagagem que eu adquiri, o mais importante foi perceber que eu devo sempre esperar e exigir mais. Nada de frases clichês de livros falando sobre como nós aceitamos o amor que achamos que merecemos, ou sacrifícios em pró de alguém que não ajuda a si mesmo. Provavelmente essa última parte é o ponto principal do meu aprendizado. 

Você nunca será feliz com alguém enquanto não estiver feliz com o que VOCÊ tem para oferecer para si mesma. Por mais que a relação vá bem, a queda do final será colossal se você não estiver preparada. E isso inclui se respeitar, valorizar e enxergar tudo o que você pode fazer e merece ter.
Eu não posso descartar tudo que sinto de uma hora para a outra, mas também não posso ficar remoendo tudo eternamente. 

Eu sempre andei no escuro porque sou uma estrela e tenho luz própria. Eu não preciso de uma luz externa para continuar, mas e você? Mal consegue enxergar a própria claridade que emana, apesar de tudo. 

Eu poderia ter sido o seu tudo. Eu tentei, fiz a minha parte. Eu não acho mais que "não tenha sido o bastante". O problema nunca esteve do meu lado e eu demorei algum tempo para parar de tentar legitimar essa possibilidade. Eu também ofereci uma bandeira branca e não obtive qualquer resposta. 
Conflitos todos temos. Chutar tudo para o alto e se trancar com os seus não vai resolver nada. É bom você se forçar a lidar com as pessoas enquanto isso, as coisas aos poucos vão melhorando, mesmo que você demore para perceber.  

Eu despertei a tempo para algumas coisas que aconteceram no passado. Quando você veste a pele, finalmente descobre como o outro lado se sentiu em certa situação, e eu percebi o quão você eu fui (leia-se idiota). Tal episódio também abriu meus olhos para que eu não machuque mais ninguém da mesma forma que você fez ao fugir. 

Por mais difícil que seja enxergar as coisas dessa forma, esse texto não deveria ter tom de rancor. Por mais que eu quisesse ter raiva de você, eu não consigo. Eu ainda tenho um afeto muito grande por você, mas o que eu nutro por mim mesma é maior. Se afastar daqueles que querem seu bem é bem estúpido. Sofrer por alguém que não se importa mais com você, é mais ainda.

É uma pena que você esteja demorando para despertar sobre isso. Quando acontecer, talvez será tarde demais. Apesar disso, eu lhe desejo sorte. Eu ainda estarei aqui, mas não eternamente. Na verdade, eu aos poucos estou partindo. 


I've been hating everythingEverything that could have beenCould have been my anythingNow everything is embarrassing

quarta-feira, 18 de março de 2015

Amor x Vodka


Corações desiludidos adoram usar a frase "Amor? Eu prefiro Vodka" e idolatrar bebedeiras como óbvias substituições para relacionamentos, mas não é tudo a mesma coisa?

Se apaixonar é como tomar um porre de vodka.
Acontece aos poucos, às vezes misturado com alguns ingredientes, fazendo você perder a noção da situação e o controle das coisas.
Quando você percebe, pronto. Está bêbado/apaixonado. Entretanto, quando a ficha finalmente cai, não tem mais volta: você está ferrado.

Aí então vem uma série de sentimentos e sensações característicos da embriaguez:
Parece que você pode fazer tudo, e que os problemas são pequenos e insignificantes, ao mesmo tempo que alguns dilemas se amplificam e você sente vontade de chorar pelas mínimas coisas. Passa a ver o mundo de outra forma  Você sente tontura, borboletas no estômago, perde a noção de espaço e tempo. Se esquece de algumas coisas, dá demasiada atenção para outras, ignora conceitos relevantes e se perde em pequenos detalhes.

Quando há algum deslize e exagero no processo, a amargura na boca e a dor de cabeça são inevitáveis no dia seguinte. Existem riscos, e acidentes podem ocorrer, machucando você e quem estiver perto.
Algumas vezes, tais situações caminham juntas e justificam a existência da outra. Afinal, quem nunca bebeu por causa do amor, e quem nunca "amou" por causa da bebida?

Bêbada ou apaixonada, entre os dois vícios, não consigo decidir qual é o mais prejudicial, afinal, ambos deixam a sensação de quero mais e pequenas grandes marcas em nossos corpos.
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