Um espaço para auto-reflexão, mimimis adolescentes e falta do que fazer

domingo, 29 de dezembro de 2013

A vida como um Domingo

 
     Por muito tempo eu culpei o nada pelo vazio que eu sentia, culpei o destino por o que não aconteceu e culpei o tempo por o que eu não fiz.
     Durante esses dezessete anos, eu esperei sentada por coisas que nunca vieram, amores que nunca chegaram e momentos que jamais aconteceram.
     Eu sempre encontrei desculpas para fazer depois o que eu deveria ter feito hoje, sempre me beneficiei de falhas para reclamar e achar mais razões para não mudar.
     Constantemente eu via o Domingo como um dia cansativo. A ideia de ter que voltar para a rotina, no dia seguinte, era suficiente para acabar com o momento de descanso que eu deveria estar aproveitando. Se eu somasse todos os Domingos do ano que eu perdi por causa disso, eu provavelmente poderia usá-los como férias incríveis.
     Pensando nisso, eu notei que estava perdendo muito tempo, perdendo Domingos demais, seja me preocupando com coisas triviais, seja deixando de fazer coisas que poderiam fazer uma grande diferença. Entre um "farei amanhã" e outro, Domingos e mais Domingos foram se perdendo.
     Eu jamais conseguirei seguir pelo meu próprio caminho se me preocupar com as pedra que possivelmente aparecerão nele. Eu não serei capaz de viver o agora se estiver preocupada com o amanhã. Eu nunca poderei aproveitar o Domingo se estiver pensando demais sobre a Segunda-Feira.
     Confesso que cansei de ver pessoas reclamando sobre o que não aconteceu, culpando o nada pelo nada. Eu cansei de ver pedidos de recomeços, de novas dádivas e de novas chances para o ano que está para começar.
     Assim, eu decidi que eu mesma irei transformar o meu tempo, a minha vida. Uma das maiores lições que eu aprendi, e demorei muito tempo para realmente entender, dos personagens de livros e filmes, é que nós escrevemos nosso próprio destino, mas não é sentada em frente ao papel e caneta que isso irá acontecer.
     Eu decidi que a partir de hoje não levarei um Domingo como um domingo. O Domingo é curto demais para desperdiçá-lo.
     Não esperarei que 2014 traga mudanças. Começarei a fazê-las, desde já, com minhas próprias mãos. Agora, a história realmente começa a ser escrita.




E esse foi o último drama do ano.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A contradição de ser jovem

        Ser jovem é engraçado. É dramático. É poético.
        Tudo parece ser eterno, finito, insuperável, substituível, imutável, passageiro.
        Juramos que amores são para sempre. Achamos que nossos corações ficarão eternamente machucados. Pensamos que não vamos superar algumas perdas, nem esquecer certas pessoas.
         Acreditamos em novas paixões. Criamos esperança de um recomeço. Pensamos no ganhos de outras dádivas. Distraímos-nos com qualquer novidade.
         Por segurança, nos escondemos atrás de máscaras, porém procuramos incansavelmente pela verdade. Nós queremos seguir em frente, desbravar o futuro e conhecer coisas novas, sem nos desfazer do passado e de tudo aquilo que já se foi.
         Achamos que sabemos tudo, e também tememos por ainda não saber de nada.
         Não conhecemos o momento de parar. Não avançamos por causa da insegurança. Temos medo do tempo e, ainda assim, ansiamos por ele.
         Criamos obstáculos para nós mesmos, derrubamos barreiras indestrutíveis e durante todo o percurso levamos uma carga de sonhos grande demais, que, muitas vezes, não é apenas nossa.
         Seguramos lágrimas em momentos de dor e as derramamos por motivo algum.
         Somos impulsionados por sorrisos e provocações. Apoiamos e derrubamos uns aos outros pelo caminho.
         Ganhamos experiência e finalmente enxergamos que ainda não ganhamos nada.
         Assim, seguimos em frente, contrariando a nós mesmos e finalmente aprendendo o significado de viver. Ou não.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Arcano XIII



     Hoje, ao sair do colégio, eu me encontrei um pouco desnorteada. Pra falar a verdade, até agora não caiu a ficha. O meu último dia de Ensino Médio ainda não entra na minha cabeça.
     Poxa, ainda é terça-feira! Como não haverá aula amanhã? Como não verei meus amigos no mesmo local, ano que vem? Como nunca mais vou pisar naquela instituição para o mesmo propósito? Como não haverá volta?
     Enquanto eu fazia despedidas em voz alta, com um tom de piada, para as velhas e novas construções, essa ideia ainda não havia sido estabelecida.
     Durante o Ensino Médio inteiro você espera pelas férias de fim de ano, pelo momento que você deixará de sentar naquela sala, aturar as mesmas pessoas, estudar aquela matéria que você odeia ou ouvir aquele professor chato.
     Por mais que, durante boa parte do tempo, você deseje se livrar disso, quando tudo acabada, a sensação que a despedida traz desperta uma série de sentimentos, que inevitavelmente te incomodarão de algum modo.
     Eu ainda estou incomodada e vou precisar de algum tempo para me acostumar com a ideia.

     Sobre a imagem e o título, explicando de forma bem resumida: o Tarô é um jogo de cartas que surgiu entre os séculos XIV e XVI. Ele é composto por 78 cartas, 56 delas, denominadas de Arcanos Menores, compondo o que conhecemos, hoje em dia, como "baralho clássico", e 22 cartas denominadas Arcano Maiores.
     Com o passar dos anos, o jogo foi difundido, popularizado e recebeu alterações e novas interpretações, sendo jogado por nobres e plebeus, seja como forma de lazer ou como forma de se obter uma reflexão mística.
     Independente de sua finalidade, o Tarô exige interpretação e investigação, tendo algumas regras e definições dos Arcanos pré-determinadas, apesar de poderem variar de acordo com a presença de outras cartas na mesa.
     Eu escolhi o Arcano XIII - A Morte para ilustrar essa postagem por causa de sua simbologia.
     Apesar de seu nome e de sua figura macabra, a carta simboliza o fim de um ciclo e o começo de outro. A Morte está relacionada com as mudanças, o fim e o recomeçar em nossas vidas, sendo esses eventos esperados ou não.
     Eu não sei exatamente o que acontecerá daqui pra frente. Quais hábitos virão, quais serão esquecidos, quais pessoas permanecerão do meu lado e quais irão para longe. A única certeza que eu tenho é que ainda há muita coisa pela frente.
     Assim, eu encerro esse ciclo, junto com meus amigos, e começo outro, novo e cheio de possibilidades.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O corte de fita


     Na minha frente havia uma fita de cetim. Ela era delicada, macia e sua cor era de um intenso vermelho.
     Eu tentei criar um laço, para adornar meu cabelo, porém, ao manuseá-la, um pequeno fio da fita cortou meu dedo.
     Nesse momento, eu percebi que o ferimento mais doloroso existente era aquele feito pelo que menos se espera.
     Talvez, a falta de preparação para a dor acabe a amplificando ou a surpresa se misture com a agonia e cause tanta comoção.
     Independente de sua origem ou consequência, o quase invisível corte estava lá, doloroso e agudo. Superficial e imperceptível na pele, mas escancarado no interior do meu peito.
     A única cor de sangue presente na cena era a da fita de cetim, ainda enrolada em minha mão pálida. 
     O afeto e fascínio que eu tinha pela fita agora se misturam com ódio e repulsa. Como ela poderia me ferir de tal forma? Trair e magoar aquela que a tratava com tanta ternura?
     Essas respostas, eu espero não encontrar. Caso eu as encontre, quem sabe, o corte se abrirá mais ainda. 
     Ente a ignorância e o conflito, foi assim que as coisas nunca mais foram as mesmas com a fita de cetim. 
Tecnologia do Blogger.

© Pink Demon, AllRightsReserved.

Designed by ScreenWritersArena